Reduzindo o fpk na Alvenaria Estrutural: Ponderadores de Carga e Redução de Sobrecarga no TQS

Ao dimensionar um edifício em alvenaria estrutural, o fpk (resistência característica à compressão do prisma) é o parâmetro que define diretamente o custo do bloco. Um fpk menor significa blocos mais baratos, logística mais simples e, em muitos casos, a viabilidade do próprio empreendimento.

Neste artigo, mostramos como dois ajustes normativos — correção dos coeficientes de ponderação Psi e redução de cargas variáveis da NBR 6120:2019 — impactam o dimensionamento real de um edifício de 17 pavimentos processado no TQS Alvest.


O projeto de estudo

  • 17 pisos (Tipo 1 ao 3, Tipo 4 ao 7, Tipo 8 ao 10, Tipo 11 ao 13, Tipo 14, Rooftop e Reservatórios)
  • Alvenaria estrutural com blocos vazados de concreto, espessura 14 cm
  • 40 subestruturas por pavimento
  • Altura total de 49,70 m
  • Vento: V0 = 33 m/s, Categoria IV, Classe B

Modelos analisados

ModeloDescrição
OriginalCritérios default do TQS
PsisCoeficientes Psi corrigidos conforme NBR 8681
RedSobrecPsis corrigidos + Redução de sobrecarga conforme NBR 6120:2019

Ajuste 1: Coeficientes de ponderação Psi

O que são os coeficientes Psi

Os coeficientes Psi (Ψ₀, Ψ₁ e Ψ₂) definem como as ações variáveis participam das combinações de carregamento:

  • Ψ₀ — Fator de combinação (ELU)
  • Ψ₁ — Fator frequente (ELS-Fr)
  • Ψ₂ — Fator quase-permanente (ELS-QP)

O problema: valores default do TQS

CoeficienteDefault TQSNorma (NBR 8681)
Ψ₀ (ELU)0,80,5
Ψ₁ (ELS-Fr)0,70,4
Ψ₂ (ELS-QP)0,60,3
  • Critérios default do TQS
  • Critérios corrigidos Psi

Impacto no dimensionamento

A correção dos Psi não altera as cargas verticais nem a tensão de compressão pura (falv,c). O que muda é a participação da carga acidental nas combinações com vento, alterando o equilíbrio entre compressão e flexão — e consequentemente o fpk necessário.


Ajuste 2: Redução de cargas variáveis (NBR 6120:2019, item 6.12)

Fundamentação normativa

A NBR 6120:2019 permite reduzir as cargas variáveis quando há pisos adjacentes com mesmo tipo de uso. O princípio é estatístico: a probabilidade de todos os pavimentos estarem simultaneamente carregados diminui conforme o número de pisos aumenta.

Aplicação no TQS

PisosRedutorPavimento
120,00Tipo 11 ao 13
110,20Tipo 11 ao 13
100,40Tipo 8 ao 10
090,60Tipo 8 ao 10
01–080,60Tipo 1 ao 10
  • Tabela redutores TQS

Impacto no dimensionamento

A redução de sobrecarga diminui diretamente a carga vertical acumulada, reduzindo tanto a tensão de compressão (falv,c) quanto o fpk necessário.


Resultados comparativos

  • Comparação modelos TQS

Resumo geral

Modelofalv,c médiofalv,c máxfpk médiofpk máxΔ falv,cΔ fpk
Original219,0299,81151,91489,0
Psis219,0299,81122,21416,90,0%-2,6%
Psis + RedSobrec205,8269,51074,91367,7-6,0%-6,7%

Conclusão

A simples conferência de dois parâmetros de carregamento — coeficientes Psi e redução de sobrecarga — pode gerar uma economia de quase 7% no fpk de dimensionamento sem qualquer alteração na geometria ou detalhamento do projeto.

Para edifícios altos em alvenaria estrutural, onde o fpk dos pisos inferiores governa a especificação dos blocos, essa diferença é significativa.


Estudo realizado pela equipe BRGT Estruturas utilizando o TQS Alvest V25 e ferramentas internas desenvolvidas em Python.


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Testei 6 combinações de LLMs para um bot corporativo de busca. O resultado me surpreendeu.


O problema

Aqui na BRGT Engenharia lidamos todos os dias com uma grande quantidade de arquivos: propostas comerciais, projetos estruturais, planilhas de orçamento, plantas DWG, relatórios de sondagem, contratos e até scripts de automação.

O problema era simples (e comum em qualquer empresa):
a informação existia, mas encontrar rápido era difícil.

A solução que criamos foi um bot no Telegram com inteligência artificial que indexa os arquivos do servidor e responde perguntas em linguagem natural.

Exemplo real:

“Qual foi o valor do orçamento da última proposta?”

O bot busca nos arquivos, interpreta e responde.


Como o sistema funciona (arquitetura RAG)

O sistema usa uma arquitetura RAG (Retrieval-Augmented Generation) com duas etapas de LLM:

1. Extração de termos
O modelo converte a pergunta do usuário em palavras-chave otimizadas para busca.

2. Geração de resposta
Outro modelo recebe os arquivos encontrados como contexto e gera a resposta final.

A grande dúvida era:

  • Qual combinação de modelos usar?
  • Um modelo caro?
  • Um modelo local gratuito?
  • Um modelo barato na nuvem?

Para evitar achismo, rodamos 6 benchmarks sistemáticos.


Metodologia

Avaliação automatizada

Todos os testes seguiram o mesmo processo:

  • 10 consultas reais simulando o uso diário
  • Avaliação automática em 5 critérios:
    • Precisão
    • Completude
    • Relevância
    • Clareza
    • Utilidade
  • Uma resposta de referência considerada nota 10

Tudo comparado de forma objetiva.

Nota metodológica importante

Todas as notas apresentadas são relativas a uma resposta de referência avaliada automaticamente pelo modelo mais avançado disponível no dia do teste: OpenAI GPT-5.2.
Isso garante padronização, consistência e comparação objetiva entre os benchmarks.


Modelos testados

ModeloTipoCusto input (1M tokens)Custo output (1M tokens)
GPT-5.2API$1,25$10,00
GPT-5-miniAPI$0,25$2,00
GPT-5-nanoAPI$0,05$0,40
GPT-4o-miniAPI$0,15$0,60
Ollama qwen2.5:7bLocalGrátisGrátis

O índice continha cerca de 1.100 arquivos com busca full-text.


Benchmark 1 — Local vs Nuvem

Pergunta: modelo local compete com API?

ModeloNotaTempo médio
GPT-4o-mini5,42,0 s
Ollama qwen2.5:7b4,46,1 s

Insight importante:

O problema não era só o modelo — era usar o mesmo modelo fraco para extrair termos e responder.


Benchmark 2 — Usando modelos diferentes para cada etapa

Combinação (extração + resposta)NotaTempo
4o-mini + 5.27,37,2 s
Ollama + 5.26,58,0 s
5.2 + 4o-mini6,12,4 s
5.2 + Ollama5,97,1 s
4o-mini + 4o-mini5,22,5 s
4o-mini + Ollama4,67,0 s
Ollama + 4o-mini4,34,1 s
Ollama + Ollama3,98,1 s

Insight:

O modelo de resposta impacta muito mais na qualidade final do que o de extração.


Benchmark 3 — Família GPT-5

CombinaçãoNotaCusto (10 consultas)
5.2 + 5-nano8,0$0,03
5.2 + 5-mini7,5$0,08
5-nano + 5.26,6$0,48
5-mini + 5.26,3$0,48
5-nano + 5-mini6,2$0,01
5-mini + 5-nano6,2$0,01
5-mini + 5-mini6,1$0,08
5-nano + 5-nano5,9$0,01

Conclusão:

Modelo forte para extrair + modelo barato para responder manteve alta qualidade com custo baixíssimo.

⚠️ Descoberta Crítica:

Modelos menores e mais baratos retornaram string vazia na etapa de extração de termos em múltiplos testes.
A tarefa parece simples, mas exige capacidade de raciocínio que modelos compactos ainda não entregam com confiabilidade.


Benchmark 4 — Variação do prompt do sistema

PromptNotaDescrição
Especialista técnico7,9Persona de engenheiro civil sênior
Original7,3Genérico
Detalhado7,2Contexto da empresa
Passo-a-passo7,1Raciocínio guiado
Anti-alucinação6,0Regras rígidas

Prompts muito restritivos pioraram o resultado.


Benchmark 5 — Prompt de extração

TipoNotaObservação
Categorizado7,6Separação por tipo
Original7,5Simples
Expansão semântica6,7Sinônimos técnicos
Contextualizado6,4Regras anti-genérico
Few-shot6,4Exemplos

Conclusão:

Prompt simples funciona.

⚠️ Descoberta Crítica:

Prompts excessivamente restritivos (anti-alucinação) reduziram a utilidade das respostas.
Ao tentar impedir qualquer risco de erro, o modelo passou a responder de forma curta, vaga e pouco prática.


Benchmark 6 — Comparação final de modelos de resposta

ModeloNotaCusto (10 consultas)Tempo
GPT-5.28,6$0,3185,7 s
GPT-5-nano7,7$0,010817,2 s
GPT-4o-mini6,6$0,00791,6 s
Ollama5,9Grátis10 s

O modelo econômico entregou cerca de 90% da qualidade por 3% do custo.


Configuração final (produção)

EtapaEscolha
ExtraçãoModelo robusto (5.2)
RespostaModelo econômico (5.2 nano)
PromptPersona técnica
ExtraçãoSimples e direto

Projeção de custos

UsoConsultas/diaCusto mensal
Leve5~R$ 0,70
Moderado10~R$ 1,40
Intenso50~R$ 6,90
Pesado100~R$ 13,80

O que aprendemos

  1. Separe extração e resposta
  2. O modelo de resposta pesa mais
  3. Modelos baratos não extraem bem termos
  4. Persona técnica melhora respostas
  5. Anti-alucinação excessiva piora
  6. Prompt complexo atrapalha
  7. Local nem sempre compensa

Arquitetura final (resumo simples)

Usuário pergunta no Telegram →
Modelo extrai palavras-chave →
Busca nos arquivos →
Modelo gera resposta →
Resposta enviada.

Simples, rápido e barato.


Código aberto?

O sistema está em produção na BRGT Engenharia.

Os scripts de benchmark podem ser compartilhados para quem quiser implementar.

Stack:

  • Python
  • Telegram Bot
  • OpenAI API
  • SQLite
  • Leitura de PDF, DWG e planilhas

Versão técnica completa

A versão completa do benchmark, com todos os dados, tabelas detalhadas e análises técnicas aprofundadas, está disponível aqui:

👉 Acessar versão técnica completa do benchmark


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Há economia aumentando o fck para reduzir o cobrimento?

Estudo de Caso: O dimensionamento do aço em concreto armado está diretamente relacionado ao cobrimento da armadura, que é definido pela Classe de Agressividade Ambiental do projeto.

O dimensionamento do aço em concreto armado está diretamente relacionado ao cobrimento da armadura, que é definido pela Classe de Agressividade Ambiental do projeto.

O cobrimento é uma região de concreto de proteção para a armadura. Esta região de proteção deve ser maior quando o CAA também é maior. Isso afeta o dimensionamento do aço, pois quanto menor o cobrimento melhor a área útil de concreto, que é a seção da peça que está sobre ação da armadura

A norma permite uma redução local de cobrimento quanto o fck utilizado na peça é maior que o mínimo exigido pela Classe de Agressividade Ambiental. Logo, surge a pergunta, vale a pena aumentar o fck e reduzir o cobrimento? Neste estudo fizemos a alteração das lajes de um pavimento típico de concreto armado de 25 para 30 MPa, e o cobrimento de 2.5 e 2.0 cm respectivamente.

Encontramos uma diferença de apenas 1 kg a menos com C30, logo, não vale a pena adotar o concreto de resistência maior.


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Consultoria de Economia Estrutural vs. ATP: O Guia Definitivo para Otimizar sua Obra


No cenário atual da construção civil, onde a flutuação dos preços dos insumos desafia qualquer orçamento, a busca por eficiência tornou-se a palavra de ordem. É comum que incorporadores e construtoras busquem uma “segunda opinião” para garantir que o projeto estrutural não esteja apenas seguro, mas também economicamente viável. Nesse contexto, surgem dois serviços fundamentais: a Avaliação Técnica de Projeto (ATP) e a Consultoria de Economia Estrutural.

Embora pareçam similares à primeira vista, eles possuem focos, responsabilidades e éticas profissionais distintas. Entender essas diferenças é o que separa um gestor comum de um profissional que entrega resultados reais sem comprometer a segurança da edificação.

A Realidade da ATP: Foco Total em Segurança e Conformidade

A Avaliação Técnica de Projeto (ATP) é um serviço formalizado, essencialmente uma verificação independente realizada por um profissional habilitado que não participou da concepção original. O objetivo primordial da ATP é atestar se o projeto atende rigorosamente às normas técnicas vigentes, como a NBR 6118, e às boas práticas de desempenho e durabilidade.

É importante desmistificar um ponto: o avaliador de ATP não tem como escopo buscar economia. Ele identifica erros de cálculo, inconsistências em modelos matemáticos e eventuais falhas que possam comprometer a segurança. Segundo as diretrizes da ABECE, qualquer proposta de alteração visando redução de custos deve ser tratada em um contrato à parte, pois foge da finalidade de uma verificação de segurança. Na ATP, o profissional apenas aponta se o projeto “passa ou não passa” no crivo técnico.

Consultoria de Economia: Onde a Otimização Acontece

Diferente da ATP, a consultoria focada em economia estrutural entra no campo da Engenharia de Valor. Aqui, o consultor analisa o projeto já elaborado em busca de soluções mais eficientes que reduzam o consumo de materiais sem sacrificar a segurança.

Este serviço envolve o estudo de alternativas, como o ajuste de seções de vigas e pilares, a revisão de taxas de armadura ou até a sugestão de mudanças no sistema construtivo em último caso. O consultor busca eliminar o “superdimensionamento” que muitas vezes ocorre por conservadorismo excessivo ou falta de tempo para refinamento do modelo original. No entanto, essa otimização exige alta qualificação, pois reduzir custos exige um rigor técnico ainda maior do que o projeto inicial.


Quadro Comparativo: Diferenças que Você Precisa Conhecer

CaracterísticaAvaliação Técnica (ATP)Consultoria de Economia
Objetivo PrincipalSegurança e conformidade normativa.Redução de custos (sem comprometer a segurança) e eficiência.
Ação do ProfissionalVerifica erros e atesta qualidade.Propõe alternativas e otimizações.
Ponto de PartidaO projeto deve atender à NBR 6118.O projeto pode ser enxugado, ainda em conformidade à NBR 6118.
ResponsabilidadeO autor original mantém a RT do projeto.Consultor responde pelas sugestões dadas.
ObrigatoriedadeExigido pela NBR 6118.Não exigido, decisão total do cliente.

O Desafio Ético e a Transparência Profissional

Prestar consultoria sobre o trabalho de outro colega é um terreno que exige cautela ética. O Código de Ética Profissional do CONFEA veda a intervenção no trabalho alheio sem autorização. Por isso, o processo deve ser transparente: o ideal é que o próprio cliente comunique o projetista original sobre a contratação da consultoria.

A postura do consultor deve ser colaborativa e nunca punitiva. É fundamental entender que engenharia não é uma ciência exata com solução única; dois engenheiros podem conceber projetos diferentes, ambos seguros e corretos segundo as normas. O consultor deve evitar críticas levianas e focar em dados numéricos, apresentando memórias de cálculo que embasem cada sugestão de economia.

Viabilidade Prática: A Economia Não Pode Ser Apenas no Papel

Um erro comum em consultorias de otimização é focar apenas no volume de concreto ou peso de aço, ignorando a execução. De nada adianta reduzir a seção de uma viga se isso tornar a armadura tão densa que impeça a passagem do vibrador, gerando bicheiras e retrabalhos caros na obra.

Uma consultoria eficaz considera:

  • Facilidade Executiva: A solução proposta é simples de montar no canteiro?
  • Impacto em Outras Disciplinas: Reduzir um pilar afeta a arquitetura ou as instalações?
  • Manutenção Futura: A economia de hoje vai gerar patologias daqui a cinco anos?

A melhor economia é aquela que equilibra o custo dos materiais com o custo da mão de obra e o tempo de execução.

Como Formalizar e Garantir a Responsabilidade Técnica

Para que o serviço seja seguro para todas as partes, a formalização é indispensável. O consultor deve emitir uma ART (Anatotação de Responsabilidade Técnica) referente ao seu relatório ou parecer.

Legalmente, as decisões finais sobre alterar ou não o projeto cabem ao projetista original. Se ele concordar com as sugestões, ele incorpora as mudanças em seus desenhos e assume a responsabilidade. Caso haja uma substituição de projetista para buscar mais economia, isso configura um novo contrato de projeto completo e exige uma transição formal de responsabilidades.

Conclusão: Uma Parceria em Prol da Engenharia

A consultoria de economia estrutural, quando realizada de forma ética e técnica, eleva o nível da engenharia brasileira. Ela promove o uso racional de recursos e a sustentabilidade, transformando o projeto em um ativo estratégico do empreendimento. O segredo está na colaboração: o consultor e o projetista trabalhando juntos para entregar a melhor solução para o cliente final.

Estudo de caso – Comparativo entre laje de 10 e 12 cm no custo global

Quando um cliente nos pede para analisar custos, uma das primeiras perguntas que surgem é sobre a espessura das lajes. A lógica parece simples: “Se eu diminuir a laje de 12cm para 10cm, vou precisar de mais aço pra combater esses esforços, certo?”

A resposta é: sim, mas…

Uma análise de engenharia nunca pode parar no elemento isolado. Um projeto estrutural é um sistema complexo onde tudo está interligado. A “economia” em um ponto pode facilmente se transformar em um custo extra em outro.

Para demonstrar isso, foi-se realizado um estudo comparativo em um projeto real, analisando o custo global da estrutura em dois cenários:

  • Cenário 1: Todas as lajes com 10cm
  • Cenário 2: Todas as lajes com 12cm

Os custos dos materiais, fck (C40) e dimensões de vigas e pilares foram mantidos. O que mudou foi apenas a espessura da laje.


Análise 1: A “Economia Local” (Olhando só a Laje)

Se o nosso trabalho dependesse somente de um estudo localizado olhando o elemento principal, os nossos resultados seriam mostrados em algo parecido com a tabela “Custos Lajes”:

Ao reduzir a espessura para 10cm teríamos uma redução no custo do concreto, mas teríamos um aumento de 8,34% no custo do aço utilizado nas lajes. Mas por que a laje com espessura menor teve um maior consumo de aço? Isso se dá pelo fato de que uma laje de 10cm tem menos concreto útil que uma laje de 12, resultando em uma área de aço necessária maior. A versão com laje de 12 é mais barata pois a economia no aço é maior do que o aumento do custo do concreto.

Resposta 1: Laje de 12 é mais econômica.


Análise 2: A “Verdade Global” (O Impacto do consumo de concreto)

Mas não podemos esquecer de um detalhe, uma estrutura de concreto armado nunca deve ser avaliada de forma local, precisamos avaliar o contexto inteiro. Para fazer uma análise mais globalizada, iremos observar a tabela de consumo de concreto e aço deste edifício:

Observa-se que apesar do consumo de aço da estrutura ser 0,09% menor quando se utiliza laje de 12cm, o volume de concreto fica em torno de 7,85% maior. Mas o que isso implicaria na prática? É melhor economizar no aço ou no concreto? Tendo esses questionamentos em mente, foi-se realizado um estudo no custo global desta obra para termos certeza da melhor escolha para o cliente.

Dessa maneira, nota-se que para este estudo, a utilização de lajes de 10cm de altura seria vantajoso para este cliente. Apesar da obra ficar 0,15% mais cara se olhássemos somente o aço a ser consumido, há uma economia de 7,85% no valor do concreto. Mas por que com a laje de 10 o consumo de aço global tem essa pouca diferença, se no estudo local a diferença era maior? A resposta é que a laje de 10 tem um peso próprio menor, que acumulado em 27 andares traz economia para vigas e pilares. Este fato somado à economia de concreto acumulada em todos os andares resulta na seguinte conclusão:

Resposta 2: Laje de 10 é mais econômica.

Esta é a lição mais importante: É preciso analisar todos os parâmetros de um projeto para saber seu real custo-benefício e as melhores escolhas.


Conclusão

Analisando o custo global da obra com quantitativos de concreto e aço simultâneamente, temos os seguintes valores:

  • Custo Total da Estrutura (Laje 10): R$ 3.830.323,98
  • Custo Total da Estrutura (Laje 12): R$ 3.962.818,78

Mesmo com a diferença de aço não sendo tão significante, o estudo de aço junto ao concreto nos deu a diferença final de R$ 132.494,80, o que representa uma economia global de 3,34%.

Isso nos mostra que uma decisão estrutural nunca deve ser tomada olhando para uma “foto” (só a volume de aço), mas sim para o “filme” (a estrutura inteira). Assim, podendo economizar aproximadamente 130 mil reais neste empreendimento, o que é um bom resultado e somente UM dos estudos realizados para este empreendimento.

O que você achou deste resultado? Deseja ver mais informações sobre como economizar em sua obra? Deixe seu comentário!

Como criar menus em Python no TQS (EAG.PYMEN e EAGXXX.PYMEN)

Este artigo ensina a transformar scripts Python em menus nativos nos editores gráficos do TQS (EAG), automatizando tarefas repetitivas com comandos de um clique. O tutorial técnico cobre a localização, criação e estruturação dos arquivos .PYMEN (tanto globais quanto específicos por aplicação), além de detalhar a assinatura padrão das funções Python necessárias para interagir diretamente com os desenhos.

A criação de menus Python no TQS é hoje um dos jeitos mais eficientes de transformar tarefas repetitivas em comandos de um clique dentro dos editores gráficos (EAG). Em vez de “rodar um script”, você passa a ter um item de menu nativo chamando sua rotina em Python.

Abaixo faço um passo a passo direto ao ponto, usando como base o manual oficial do TQS e exemplos reais (como os menus de alvenaria desenvolvidos pela BRGT).


No TQS, os editores gráficos (EAGW.EXE) são configurados por menus do tipo .MEN, armazenados em TQSW\EXEC\EAGMENU. Eles apontam para comandos escritos em DLLs C++ – é o menu padrão que você já usa.

A interface Python entra como uma extensão desse menu:

  • Para cada EAGXXX.MEN carregado, o editor tenta carregar automaticamente um arquivo EAGXXX.PYMEN na pasta TQSW\EXEC\Python.
  • A partir da versão V24, sempre que um editor gráfico abre, ele tenta carregar antes o menu EAG.PYMEN, que é um menu Python comum a todos os editores (formas, ferros, alvenaria, modelador etc.).

Isso significa que você pode:

  • Ter comandos globais (em EAG.PYMEN, valendo em qualquer editor);
  • Ter comandos específicos de uma aplicação (por exemplo, EAGALV.PYMEN só para Alvenaria em planta).

2. Estrutura básica de um arquivo .PYMEN

Um menu Python segue praticamente a mesma lógica dos menus .MEN, mas trocando DLL por módulo Python. A estrutura típica é:

ini
[PYTHON]
EAGALV.PY

[CMD]
ID_EXEMPLO,EAGALV.PY,meu_comando
Texto de ajuda do comando

[MENU]
SUBMENU,&BRGT – Automação
MENUITEM,ID_EXEMPLO,Executar &exemplo
FIMSUBMENU

Pontos importantes:

  • [PYTHON] – lista os módulos .PY que o menu pode chamar (devem estar em TQSW\EXEC\Python).
  • [CMD] – para cada comando:
  • um ID (ID_EXEMPLO),
  • o nome do módulo (EAGALV.PY),
  • o nome da função Python (meu_comando),
  • e uma linha de ajuda que aparece em tooltip/rodapé.
  • [MENU] – monta o menu dropdown:
  • SUBMENU abre um menu,
  • MENUITEM associa um item ao ID,
  • SEPARADOR insere linhas de separação,
  • FIMSUBMENU fecha o submenu.

O & no texto do menu define o atalho de teclado (Alt + letra).


3. Assinatura das rotinas Python chamadas pelo menu

Toda função chamada por um .PYMEN tem sempre a mesma assinatura:

python
def seu_comando(eag, tqsjan):
…

Onde:

  • eag é um objeto TQSEag.Eag (controle do editor: menus, estados, entrada simulada, mensagens, execuções de comando etc.);
  • tqsjan é um objeto TQSJan.Window, que dá acesso à janela e ao desenho aberto;
  • o desenho em si é tqsjan.dwg, um TQSDwg.Dwg, permitindo ler e alterar elementos do DWG.

Exemplo simplificado baseado na lógica dos exemplos oficiais:

python
from TQS import TQSDwg, TQSEag

def meu_comando(eag, tqsjan):
dwg = tqsjan.dwg
# Exemplo bem simples: dar zoom total e avisar o usuário
tqsjan.ZoomTotal()
eag.msg.Print("Comando Python executado com sucesso!")

Nos menus avançados da BRGT (como EAGALV.PY), essa mesma assinatura é usada para tarefas mais pesadas, como: detectar blocos por layer, corrigir escala, inserir graute e armaduras verticais automaticamente, apagar blocos sob portas, etc.


4. Ligando o menu Python a uma aplicação específica

O fluxo típico para criar um menu de aplicação é:

  1. Descobrir o menu do editor que você quer estender
    • Ex.: planta de alvenaria usa o menu EAGALV.MEN.
  2. Criar o arquivo EAGALV.PYMEN em TQSW\EXEC\Python
    • Com as seções [PYTHON], [CMD], [MENU] explicadas acima.
  3. Criar o módulo EAGALV.PY na mesma pasta
    • Implementando as funções def comando_x(eag, tqsjan): para cada ID definido em [CMD].
  4. Abrir um desenho correspondente (por exemplo, uma planta de alvenaria) e verificar se o novo submenu aparece no final da barra de menus.

5. Menus globais: usando o EAG.PYMEN

Se você quer comandos disponíveis em qualquer editor gráfico (formas, ferros, alvenaria, modelador, paredes, etc.), use o menu global:

  • Crie/edite o arquivo EAG.PYMEN em TQSW\EXEC\Python;
  • A estrutura é a mesma ([PYTHON], [CMD], [MENU]);
  • Esse menu é carregado antes do menu específico da aplicação, então os comandos ficam sempre visíveis.

Isso é útil para:

  • Ferramentas genéricas de revisão de desenho;
  • Rotinas de auditoria de layers, escalas, blocos;
  • Utilitários internos de escritório que você quer padronizar em toda a equipe.

6. Reaproveitando código de menu com INCLUIR

Se você tiver um conjunto de comandos comum a vários editores, o manual recomenda separar esse trecho em um arquivo .PYMEN “comum” e incluir nos demais com:

ini
INCLUIR,COMUM.PYMEN

Isso evita copiar/colar blocos gigantes de menu e facilita manter tudo padronizado.


7. Checklist rápido para começar

  1. Python 3.x instalado, pacote TQSPythonInterface instalado (pasta TQSW\EXEC\Python).
  2. Criar/editar EAG.PYMEN (global) ou EAGXXX.PYMEN (por aplicação).
  3. Apontar, em [PYTHON], para o(s) módulo(s) .PY que você vai usar.
  4. Criar IDs em [CMD], ligando cada um a uma função def … (eag, tqsjan) no seu .PY.
  5. Montar o submenu em [MENU].
  6. Abrir o editor correspondente no TQS e testar.

Material de Apoio:

https://drive.google.com/drive/folders/192wvOMPrOG6yG3w9w5Wb0Ge56-Olhwb6?usp=drive_link