Há economia aumentando o fck para reduzir o cobrimento?

Estudo de Caso: O dimensionamento do aço em concreto armado está diretamente relacionado ao cobrimento da armadura, que é definido pela Classe de Agressividade Ambiental do projeto.

O dimensionamento do aço em concreto armado está diretamente relacionado ao cobrimento da armadura, que é definido pela Classe de Agressividade Ambiental do projeto.

O cobrimento é uma região de concreto de proteção para a armadura. Esta região de proteção deve ser maior quando o CAA também é maior. Isso afeta o dimensionamento do aço, pois quanto menor o cobrimento melhor a área útil de concreto, que é a seção da peça que está sobre ação da armadura

A norma permite uma redução local de cobrimento quanto o fck utilizado na peça é maior que o mínimo exigido pela Classe de Agressividade Ambiental. Logo, surge a pergunta, vale a pena aumentar o fck e reduzir o cobrimento? Neste estudo fizemos a alteração das lajes de um pavimento típico de concreto armado de 25 para 30 MPa, e o cobrimento de 2.5 e 2.0 cm respectivamente.

Encontramos uma diferença de apenas 1 kg a menos com C30, logo, não vale a pena adotar o concreto de resistência maior.


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Consultoria de Economia Estrutural vs. ATP: O Guia Definitivo para Otimizar sua Obra


No cenário atual da construção civil, onde a flutuação dos preços dos insumos desafia qualquer orçamento, a busca por eficiência tornou-se a palavra de ordem. É comum que incorporadores e construtoras busquem uma “segunda opinião” para garantir que o projeto estrutural não esteja apenas seguro, mas também economicamente viável. Nesse contexto, surgem dois serviços fundamentais: a Avaliação Técnica de Projeto (ATP) e a Consultoria de Economia Estrutural.

Embora pareçam similares à primeira vista, eles possuem focos, responsabilidades e éticas profissionais distintas. Entender essas diferenças é o que separa um gestor comum de um profissional que entrega resultados reais sem comprometer a segurança da edificação.

A Realidade da ATP: Foco Total em Segurança e Conformidade

A Avaliação Técnica de Projeto (ATP) é um serviço formalizado, essencialmente uma verificação independente realizada por um profissional habilitado que não participou da concepção original. O objetivo primordial da ATP é atestar se o projeto atende rigorosamente às normas técnicas vigentes, como a NBR 6118, e às boas práticas de desempenho e durabilidade.

É importante desmistificar um ponto: o avaliador de ATP não tem como escopo buscar economia. Ele identifica erros de cálculo, inconsistências em modelos matemáticos e eventuais falhas que possam comprometer a segurança. Segundo as diretrizes da ABECE, qualquer proposta de alteração visando redução de custos deve ser tratada em um contrato à parte, pois foge da finalidade de uma verificação de segurança. Na ATP, o profissional apenas aponta se o projeto “passa ou não passa” no crivo técnico.

Consultoria de Economia: Onde a Otimização Acontece

Diferente da ATP, a consultoria focada em economia estrutural entra no campo da Engenharia de Valor. Aqui, o consultor analisa o projeto já elaborado em busca de soluções mais eficientes que reduzam o consumo de materiais sem sacrificar a segurança.

Este serviço envolve o estudo de alternativas, como o ajuste de seções de vigas e pilares, a revisão de taxas de armadura ou até a sugestão de mudanças no sistema construtivo em último caso. O consultor busca eliminar o “superdimensionamento” que muitas vezes ocorre por conservadorismo excessivo ou falta de tempo para refinamento do modelo original. No entanto, essa otimização exige alta qualificação, pois reduzir custos exige um rigor técnico ainda maior do que o projeto inicial.


Quadro Comparativo: Diferenças que Você Precisa Conhecer

CaracterísticaAvaliação Técnica (ATP)Consultoria de Economia
Objetivo PrincipalSegurança e conformidade normativa.Redução de custos (sem comprometer a segurança) e eficiência.
Ação do ProfissionalVerifica erros e atesta qualidade.Propõe alternativas e otimizações.
Ponto de PartidaO projeto deve atender à NBR 6118.O projeto pode ser enxugado, ainda em conformidade à NBR 6118.
ResponsabilidadeO autor original mantém a RT do projeto.Consultor responde pelas sugestões dadas.
ObrigatoriedadeExigido pela NBR 6118.Não exigido, decisão total do cliente.

O Desafio Ético e a Transparência Profissional

Prestar consultoria sobre o trabalho de outro colega é um terreno que exige cautela ética. O Código de Ética Profissional do CONFEA veda a intervenção no trabalho alheio sem autorização. Por isso, o processo deve ser transparente: o ideal é que o próprio cliente comunique o projetista original sobre a contratação da consultoria.

A postura do consultor deve ser colaborativa e nunca punitiva. É fundamental entender que engenharia não é uma ciência exata com solução única; dois engenheiros podem conceber projetos diferentes, ambos seguros e corretos segundo as normas. O consultor deve evitar críticas levianas e focar em dados numéricos, apresentando memórias de cálculo que embasem cada sugestão de economia.

Viabilidade Prática: A Economia Não Pode Ser Apenas no Papel

Um erro comum em consultorias de otimização é focar apenas no volume de concreto ou peso de aço, ignorando a execução. De nada adianta reduzir a seção de uma viga se isso tornar a armadura tão densa que impeça a passagem do vibrador, gerando bicheiras e retrabalhos caros na obra.

Uma consultoria eficaz considera:

  • Facilidade Executiva: A solução proposta é simples de montar no canteiro?
  • Impacto em Outras Disciplinas: Reduzir um pilar afeta a arquitetura ou as instalações?
  • Manutenção Futura: A economia de hoje vai gerar patologias daqui a cinco anos?

A melhor economia é aquela que equilibra o custo dos materiais com o custo da mão de obra e o tempo de execução.

Como Formalizar e Garantir a Responsabilidade Técnica

Para que o serviço seja seguro para todas as partes, a formalização é indispensável. O consultor deve emitir uma ART (Anatotação de Responsabilidade Técnica) referente ao seu relatório ou parecer.

Legalmente, as decisões finais sobre alterar ou não o projeto cabem ao projetista original. Se ele concordar com as sugestões, ele incorpora as mudanças em seus desenhos e assume a responsabilidade. Caso haja uma substituição de projetista para buscar mais economia, isso configura um novo contrato de projeto completo e exige uma transição formal de responsabilidades.

Conclusão: Uma Parceria em Prol da Engenharia

A consultoria de economia estrutural, quando realizada de forma ética e técnica, eleva o nível da engenharia brasileira. Ela promove o uso racional de recursos e a sustentabilidade, transformando o projeto em um ativo estratégico do empreendimento. O segredo está na colaboração: o consultor e o projetista trabalhando juntos para entregar a melhor solução para o cliente final.

Como criar menus em Python no TQS (EAG.PYMEN e EAGXXX.PYMEN)

Este artigo ensina a transformar scripts Python em menus nativos nos editores gráficos do TQS (EAG), automatizando tarefas repetitivas com comandos de um clique. O tutorial técnico cobre a localização, criação e estruturação dos arquivos .PYMEN (tanto globais quanto específicos por aplicação), além de detalhar a assinatura padrão das funções Python necessárias para interagir diretamente com os desenhos.

A criação de menus Python no TQS é hoje um dos jeitos mais eficientes de transformar tarefas repetitivas em comandos de um clique dentro dos editores gráficos (EAG). Em vez de “rodar um script”, você passa a ter um item de menu nativo chamando sua rotina em Python.

Abaixo faço um passo a passo direto ao ponto, usando como base o manual oficial do TQS e exemplos reais (como os menus de alvenaria desenvolvidos pela BRGT).


No TQS, os editores gráficos (EAGW.EXE) são configurados por menus do tipo .MEN, armazenados em TQSW\EXEC\EAGMENU. Eles apontam para comandos escritos em DLLs C++ – é o menu padrão que você já usa.

A interface Python entra como uma extensão desse menu:

  • Para cada EAGXXX.MEN carregado, o editor tenta carregar automaticamente um arquivo EAGXXX.PYMEN na pasta TQSW\EXEC\Python.
  • A partir da versão V24, sempre que um editor gráfico abre, ele tenta carregar antes o menu EAG.PYMEN, que é um menu Python comum a todos os editores (formas, ferros, alvenaria, modelador etc.).

Isso significa que você pode:

  • Ter comandos globais (em EAG.PYMEN, valendo em qualquer editor);
  • Ter comandos específicos de uma aplicação (por exemplo, EAGALV.PYMEN só para Alvenaria em planta).

2. Estrutura básica de um arquivo .PYMEN

Um menu Python segue praticamente a mesma lógica dos menus .MEN, mas trocando DLL por módulo Python. A estrutura típica é:

ini
[PYTHON]
EAGALV.PY

[CMD]
ID_EXEMPLO,EAGALV.PY,meu_comando
Texto de ajuda do comando

[MENU]
SUBMENU,&BRGT – Automação
MENUITEM,ID_EXEMPLO,Executar &exemplo
FIMSUBMENU

Pontos importantes:

  • [PYTHON] – lista os módulos .PY que o menu pode chamar (devem estar em TQSW\EXEC\Python).
  • [CMD] – para cada comando:
  • um ID (ID_EXEMPLO),
  • o nome do módulo (EAGALV.PY),
  • o nome da função Python (meu_comando),
  • e uma linha de ajuda que aparece em tooltip/rodapé.
  • [MENU] – monta o menu dropdown:
  • SUBMENU abre um menu,
  • MENUITEM associa um item ao ID,
  • SEPARADOR insere linhas de separação,
  • FIMSUBMENU fecha o submenu.

O & no texto do menu define o atalho de teclado (Alt + letra).


3. Assinatura das rotinas Python chamadas pelo menu

Toda função chamada por um .PYMEN tem sempre a mesma assinatura:

python
def seu_comando(eag, tqsjan):
…

Onde:

  • eag é um objeto TQSEag.Eag (controle do editor: menus, estados, entrada simulada, mensagens, execuções de comando etc.);
  • tqsjan é um objeto TQSJan.Window, que dá acesso à janela e ao desenho aberto;
  • o desenho em si é tqsjan.dwg, um TQSDwg.Dwg, permitindo ler e alterar elementos do DWG.

Exemplo simplificado baseado na lógica dos exemplos oficiais:

python
from TQS import TQSDwg, TQSEag

def meu_comando(eag, tqsjan):
dwg = tqsjan.dwg
# Exemplo bem simples: dar zoom total e avisar o usuário
tqsjan.ZoomTotal()
eag.msg.Print("Comando Python executado com sucesso!")

Nos menus avançados da BRGT (como EAGALV.PY), essa mesma assinatura é usada para tarefas mais pesadas, como: detectar blocos por layer, corrigir escala, inserir graute e armaduras verticais automaticamente, apagar blocos sob portas, etc.


4. Ligando o menu Python a uma aplicação específica

O fluxo típico para criar um menu de aplicação é:

  1. Descobrir o menu do editor que você quer estender
    • Ex.: planta de alvenaria usa o menu EAGALV.MEN.
  2. Criar o arquivo EAGALV.PYMEN em TQSW\EXEC\Python
    • Com as seções [PYTHON], [CMD], [MENU] explicadas acima.
  3. Criar o módulo EAGALV.PY na mesma pasta
    • Implementando as funções def comando_x(eag, tqsjan): para cada ID definido em [CMD].
  4. Abrir um desenho correspondente (por exemplo, uma planta de alvenaria) e verificar se o novo submenu aparece no final da barra de menus.

5. Menus globais: usando o EAG.PYMEN

Se você quer comandos disponíveis em qualquer editor gráfico (formas, ferros, alvenaria, modelador, paredes, etc.), use o menu global:

  • Crie/edite o arquivo EAG.PYMEN em TQSW\EXEC\Python;
  • A estrutura é a mesma ([PYTHON], [CMD], [MENU]);
  • Esse menu é carregado antes do menu específico da aplicação, então os comandos ficam sempre visíveis.

Isso é útil para:

  • Ferramentas genéricas de revisão de desenho;
  • Rotinas de auditoria de layers, escalas, blocos;
  • Utilitários internos de escritório que você quer padronizar em toda a equipe.

6. Reaproveitando código de menu com INCLUIR

Se você tiver um conjunto de comandos comum a vários editores, o manual recomenda separar esse trecho em um arquivo .PYMEN “comum” e incluir nos demais com:

ini
INCLUIR,COMUM.PYMEN

Isso evita copiar/colar blocos gigantes de menu e facilita manter tudo padronizado.


7. Checklist rápido para começar

  1. Python 3.x instalado, pacote TQSPythonInterface instalado (pasta TQSW\EXEC\Python).
  2. Criar/editar EAG.PYMEN (global) ou EAGXXX.PYMEN (por aplicação).
  3. Apontar, em [PYTHON], para o(s) módulo(s) .PY que você vai usar.
  4. Criar IDs em [CMD], ligando cada um a uma função def … (eag, tqsjan) no seu .PY.
  5. Montar o submenu em [MENU].
  6. Abrir o editor correspondente no TQS e testar.

Material de Apoio:

https://drive.google.com/drive/folders/192wvOMPrOG6yG3w9w5Wb0Ge56-Olhwb6?usp=drive_link